Depois de uma overdose temática oitentista eis que, aos pouquinhos, o estilo ladylike é a mais nova-velha-novidade que a moda traz pra gente. A inspiração? Donas-de-casa dos anos cinqüenta, com suas amplas saias e meios-sorrisos repletos de pura gentileza.
Era de se esperar, pois a coisa vem caminhando pra isso: tivemos umas boas temporadas sugerindo o retorno de uma boa-moça que também se fazia presente nos anos oitenta, convivendo com as pós-punk emancipadas de jaquetas de tachas e botas oversized. Isso sem contar com o frenesi causado pelo figurino de Mad Men.
Agora nos é sugerido mais do que apenas uma referência: os modelos pra 2011 nos convidam a vestir mesmo a personagem que resgate o que mais houver de boa-moça destro de nós. É um esforço para parecer impecável, o que se traduz em fios de cabelo em seus devidos lugares, tecidos estruturados, estampas românticas e cores de algodão-doce. Isso é claro, desde que você esteja dentro de sais em cujos perímetros você nunca se imaginou.
Se isso pega vai ser difícil montar aquele look minimal no qual as cariocas são campeãs, como quem se preocupa em se vestir parecendo não se preocupar, se arrumando pra parecer desarrumada, sempre.
Acontece que as roupas estão (ou pelo menos deveriam estar) inseridas num contexto histórico, e a mulher de hoje em dia não é assim tão ladylike - as ladies caricatas so amarican way of life se foram. A pompa, a elegância e a delicadeza inerentes até podem ser muito bem-vindas aos dias de hoje, mas é fato, estamos muito distantes dessas bonecas, talvez por mera falta de tempo. Aliás, ficar horas curvando cílios não condiz com a metade dos afazeres da mulher do século XXI. Por mais lindo que o resultado possa ficar, nossa lady mimética afinal, correria o sério risco de se tornar uma Betty Drapper (Mad Men), ou mesmo uma Laura Brown (As Horas). Que triste.
Campanha Vuitton (!)

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