Todo mundo sabia que, mais cedo ou mais tarde, a moda 80’s voltaria. O que eu não sabia é que duraria tanto tempo. Fashion Rio veio e foi e, por mais que especialistas falem na volta minimalismo, o que se vê é a afirmação cada vez maior da estética oitentista.
E, se de alguma forma isso é lamentável, por outro, é cômico e cômodo. Para as nascidas antes de 1985, pode soar meio bizarra a idéia de usar peças com tantas referências totalmente over - isso porque quem cresceu nos anos 80 habituou-se a ver suas mães enfiadas em roupas e acessórios que, sob o prisma minimalista que dominou a década seguinte, mais pareciam fantasias. E, de certa forma, são mesmo. Essas pessoas, que definiram sua identidade visual nos anos 90, de início tiveram certa resistência diante de tanto excesso. E, mesmo agora, que a tendência parece ter ganhado ares mais populares, ainda temos nossas reservas e aquelas peças pra quem dizemos: “nem morta!” – no meu caso isso se aplica aos tênis acolchoados de cano alto, ao justo de manga presunto e às maxicorrentes douradas, por exemplo.
Mas a geração pós 90 simplesmente não tem aquela referência de poluição visual dos 80 porque nessa época essas pessoas não existiam, ou estavam nascendo. Então, vêem nessa moda algo de novo – talvez um pouco subversivo. Assim, enchem-se as ruas da moda quase-tudo-pode, lúdica e até meio cômica, e meio cômoda, já que tudo pode. Alerta: nem tudo pode para todas, sorry.
Hoje entendo quando falam que essa estética é mais democrática que a minimalista, que exige silhueta enxugada e uma impecabilidade extrema, pois as linhas retas e poucos acessórios nos deixam em evidência. Já o guarda-roupa superover de hoje tem manhas e macetes que jogam a atenção para as cores e volumes e estampas e acessórios que gritam e berram e falam per si. Isso é divertido, dá pra brincar mais, mas facilmente pode nos fazer cair na bizarrice. Se eu tivesse cara-de-pau suficiente, eu sairia pelas ruas fazendo uma espécie de sartorialist às avessas, onde fotografaria a interpretação bizzarra que as pessoas dão ao que se vende nas lojas. É triste.
Em “O Essencial”, guia de estilo lançado por Constanza Pascolatto em1999, as referências dos anos 80 soam tão absurdas que, ao ler, a gente teve certeza absoluta que isso nunca, mas nunca mais mesmo voltaria à moda. O mesmo ocorre no “What not to Wear”, (livro do esquadrão de Trinny e Susanah). Mas quem não é boba sabe, você nunca deveria ter dito “desse wayfarer nunca usarei”.
Dizem as más línguas que essa enxurrada fashion surgiu por uma jogada da indústria da moda, ameaçada diante da crise mundial. Voltar com o luxo seria a solução, pois quanto mais mais, mais se gasta e.
Além disso, roupas mais mais têm mais detalhes, o que as tornariam meio que imunes à pirataria. E de penduricalho em penduricalho, a indústria enche o bolso. Resta saber se as meninas vão ser verdadeiramente fiéis e sair por aí com sobrancelhas-taturana.

Nenhum comentário:
Postar um comentário