23 maio, 2010

Schiaparelli

o chapéu-sapato e o vestido-lagosta


Pra começar essa trajetória Pink, nada melhor que falar um pouco de Elsa Schiaparelli.

Quem??????????????

Elsa foi a criadora do Rosa Choque. Contemporânea a Chanel, Schiaparelli trilhou um caminho bem diferente. E o resultado foi que, enquanto a Chanel se tornou a “mãe do terninho”, Shiaparelli, pode-se dizer, é a mãe da moda alternativa, da pop-art clothing.

Muito menos preocupada com a funcionalidade que com a arte em si – Chanel definitivamente libertou as mulheres de espartilhos-instrumentos-de- tortura, vestidos com infinitas anáguas e chapéus que precisavam de duas a três pessoas para colocar, criando uma moda enxugada e funcional – Elsa defendia um mix indispensável entre moda e artes plásticas. Ao contrário de sua contemporânea, que veio praticamente da sarjeta, Elsa provinha de família de renome, e tinha formação acadêmica em Filosofia. Talvez dessa coisa de não levar as coisas muito a sério – sobretudo a si mesma – tenha vindo toda essa liberdade de pensamento e criação: as despreocupações de uma menina rica contra a austeridade daquela que precisava vencer na vida. Juntando tudo isso dá mais ou menos uma prévia de todo vestuário feminino nos últimos cem anos.

Mas foi o envolvimento com os movimentos de vanguarda do início do século passado e seus artistas, sobretudo o surrealismo de Dalí que serviram de base para sua moda escandalosamente exótica.

Daí surgiram os vestidos-lagosta, a bolsa-telefone e o chapéu sapato (esse último até bem usável, se comparado à chapelaria bizarra da época). Mas não é só isso: sabe aquela estampa do “New York Times”, do “Le Monde”? Ela foi primeira a criar estampas de jornal. Sabe aquele efeito tromp l’oeil, das estampas do século passado que voltaram agora, tipo camiseta com estampa de espartilho, colares e bolsos desenhados na roupa? Isso é só uma pequena demonstração da moda bem-humorada e zero careta criada por Schiaparelli, coisas que se consagraram tanto até cair no banal. E coisas que não caem no banal por não serem nada usáveis, são esteticamente conceituais – afinal, não é pra se sair por aí com uma bolsa-telefone!

Isso é entrar pra História. O legado não foi só no vestir, pois se trata de toda uma mudança do papel da mulher na sociedade.

No ano passado, houve vários desfiles impregnados de surrealismo, uma homenagem a Schiaparelli. Acho justo, já que ela permaneceu ofuscada pela Chanel (se bem que tem gente que não sabe se Chanel é homem ou mulher, enfim).

E, mesmo que você não concorde com absolutamente nada que eu disse, vai gostar do site: http://www.schiaparelli.com/ - eu juro que levei um susto quando o cachorro latiu!



Nenhum comentário:

Postar um comentário